Um bronze mais dourado que o ouro

O Brasil não poderia terminar melhor sua campanha nos Jogos Olímpicos de Atenas. Na verdade, podia sim. Em uma corrida excelente, Vanderlei Cordeiro de Lima levou o bronze na maratona, prova que encerrou o programa das Olimpíadas, neste domingo.
 
Nunca saberá se teria levado o ouro. É que, já perto do final da prova, ele foi atrapalhado por um torcedor que o empurrou para as grades. Só depois de alguns segundos, o brasileiro voltou para a prova.
 
A primeira imagem no telão do estádio Panathinaikos só mostrou o amontoado em ação. Instantes depois, em imagem recuperada, todos puderam ver Vanderlei sendo empurrado e voltando para a prova inconformado, balançando a cabeça. A comoção foi geral. Primeiro, um coro: "Oh!", do público incrédulo. Em seguida, palmas, muitas palmas para o brasileiro, que ganhou imediatamente a simpatia das pessoas.
 
Ao meu lado na arquibancada, um espanhol repetia: "É uma vergonha, isso é uma vergonha." O brasileiro reclamava: "O único atentado dos Jogos foi contra nós."
 
O italiano Stefano Baldini foi muito aplaudido ao entrar no estádio e garantir o ouro, mas Vanderlei foi ovacionado. Emocionado, com sorriso largo, deu entrevistas, e a volta olímpica levando a bandeira nacional.
 
Não sei se estava ligando muito para o incidente, ao menos naquele momento. A euforia era maior. Até porque, ele não era favorito e ficar entre os dez primeiros já seria considerado um bom resultado.
 
Foi uma final emocionante e que ficará na história. Creio que, em dez anos, muitos ainda se lembrarão do brasileiro que liderou grande parte da maratona olímpica, foi atacado e mesmo assim subiu ao pódio. Não posso dizer se todos lembrarão quem foi o vencedor.
 
O técnico Ricardo D'Angelo estava inconformado, claro. "Senti uma raiva enorme", resumiu. "Mas este é um bronze que vale ouro."
 
E ele apostava no primeiro lugar até o incidente ocorrer. "Claro, ele tinha 25 segundos de vantagem, o que dá uns 250m. Mesmo se os outros tirassem uns tres segundos por quilômetro, não iam alcancar. Até porque, ele ia ficar cansado, mas os outros também."
 
"Agora, ele perdeu pelo menos uns 20 segundos ali, perdeu a concentração, teve de recuperar o ritmo, e mesmo assim terminou em terceiro. Ele vinha muito bem", completa.
 
E o Paul Tergat, hein? Recordista mundial, velho conhecido dos brasileiros pelas vitórias na São Silvestre. E totalmente apagado na maratona olímpica. Eu mesma, confesso, achava que o queniano ia arrancar no final, e deixar o brasileiro para trás. E não era a única. Alguns torcedores até o confundiram com seu compatriota, Erick Wainaina, sétimo colocado. Mas Tergat foi apenas décimo. As Olimpíadas são mesmo cheias de surpresa. Que bom!

Postado por Cláudia Andrade às 17h17
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O Brasil é ouro!!!

Estou adorando escrever isso repetidamente aqui no blog! Mas, desta vez, não acompanhei a conquista do vôlei masculino ao vivo, apenas pela televisão. Mas vou comemorar muito, de qualquer jeito. Logo mais, estarei no estádio Panathinaikos, para ver a final da maratona, ultimo evento esportivo destes Jogos Olimpícos de Atenas. Já estou com saudades...


Postado por Cláudia Andrade às 14h06
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Companheira

Éramos as duas únicas voluntárias brasileiras na vela e ouvimos falar muito uma da outra. Mas só nos encontramos no último dia, na cerimônia de premiação da classe Star, vencida por Torben Grael e Marcelo Ferreira.

Renata tem 25 anos e estuda Esportes na USP. Veio para Atenas porque a experiência olímpica seria boa para seu currículo e também para fazer alguns contatos. Mas achou que os voluntários ficam muito alheios de tudo. "Nao tem um jornalzinho diário com as informações sobre o que está acontecendo, os resultados. Achei isso um absurdo", diz.

Para ela, quem quer ser voluntário das Olimpíadas pela farra, deve mudar de idéia, porque não tem tanta festa assim. O ideal é gostar muito de esportes.

Ela joga vôlei e luta judô, mas acabou na vela. Agora, se diz uma apaixonada pela modalidade. Tanto que fez questão de tirar a foto para o blog ao lado de Torben Grael.


Postado por Cláudia Andrade às 13h58
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Admito

Tudo bem, eu também tirei a minha foto com o bicampeão olímpico...


Postado por Cláudia Andrade às 13h44
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Empolgada

A figura chamou a atenção ao cantar o hino nacional bem alto durante a premiação da vela. E também pela máscara improvisada. Yumi já tem experiência nisso, depois de acompanhar das arquibancadas as Olimpíadas de Sydney. Desta vez, com medo de ataques terroristas, decidiu vir a Atenas só na última hora. Pagou mais caro e ainda chegou para o final da festa, na última quarta-feira. Mas, pela empolgação, está valendo a pena.


Postado por Cláudia Andrade às 13h41
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Saideira


Olha a fila de gente interessada em comprar os produtos olímpicos, no penúltimo dia do evento. E a loja oficial ainda não está em liquidação, ou seja, os preços não baixaram.

Postado por Cláudia Andrade às 13h36
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Missão cumprida

Eu também deixei pra última hora minha ida à Acrópole. Não podia perder, mesmo. Chega a ser emocionante andar por aquele lugar cheio de história. E um pouco perigoso tambem, porque as pedras são escorregadias.

Postado por Cláudia Andrade às 13h34
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Torcida do Brasil

Encontrei a Mariana Ohata na entrada do ginásio Paz e Amizade. Achei que veria outros atletas brasileiros no jogo de vôlei contra os EUA, mas fiquei longe da área ocupada pela torcida organizada (pelo patrocinador) e dos setores mais próximos da quadra. Vi apenas os torcedores "comuns", que, como sempre, fizeram muito barulho e não perdoaram os norte-americanos em momento algum, nem mesmo quando o time foi apresentado, antes da partida. Mas senti falta de gritos de guerra. Tirando o "Bernard, Bernard (?)", para o tecnico Bernardinho, só mesmo palmas, muitas palmas e vaias para os adversários

Postado por Cláudia Andrade às 09h25
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Voluntários do vôlei

Me contaram que os voluntários que trabalham no vôlei são dos que mais trabalham. E ainda têm de chegar cedo para pegar as melhores funções. Será que secar a quadra durante os jogos está na lista de melhores tarefas? Acho que tem suas vantagens, sim. Além de ficar mais perto dos atletas do que qualquer um, o grupo ainda é aplaudido antes do início da partida, quando é apresentado. O alto-falante anuncia a equipe de voluntarios, depois os juízes, as comissões técnicas e, por fim, os jogadores. Privilégio.

Postado por Cláudia Andrade às 09h24
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Semifinal do vôlei 1 - A caça de ingressos

Por volta das 17h desta sexta-feira, resolvi que queria assistir ao jogo de vôlei do Brasil, marcado para as 21h30. Como estava perto de Monastiraki, centro ateniense de cambistas, fui checar os preços, mas os vendedores nao tinham ingressos para vôlei. Me ofereceram de basquete e handebol no lugar. Será que já estavam todos vendidos? Meio desanimada, mas ainda persistente, passei em frente ao ginásio Paz e Amizade. Quem sabe não poderia encontrar um cambista desesperado, de última hora. Nada. Fui ao guichê de venda oficial de tickets e a pergunta já foi uma negativa: "Vocês não têm entradas para o jogo de agora, né?" Para minha surpresa, a resposta foi sim. Na verdade, havia muitos lugares vagos no ginásio, que tem capacidade para mais de 14 mil pessoas.

Postado por Cláudia Andrade às 08h37
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Semifinal do vôlei 2 - Gigantes anões

Comprei a entrada mais barata, 40 euros, porque em todos os esportes que acompanhei, tênis, canoagem, atletismo, nunca tive problemas com a distância. Mas, ao entrar e ver a quadra longe, muito longe mesmo, tive vontade de pagar a diferenca (20 euros) só para poder enxergar alguma coisa. Era incrível. Até os gigantes russos pareciam formigas de onde eu estava. E, na verdade, desapareceram mesmo durante o jogo com a Itália. Tive de pedir emprestado o binóculo de um torcedor para reconhecer melhor alguns jogadores. Ao menos os brasileiros eu saberia identificar a quilômetros de distância.

Postado por Cláudia Andrade às 08h37
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Semifinal do vôlei 3 - Torcida grega

Na fila do banheiro, a jovem grega vestiu a camiseta amarela do Brasil, emprestada pelo irmão. Ela torce pela seleção pela força dos brasileiros, simples assim. Muitos outros gregos estavam do lado do time de Bernardinho durante o confronto com os Estados Unidos. E foi divertido ouvir os gritos de "Brasil, Brasil", com sotaque.

Postado por Cláudia Andrade às 08h37
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Semifinal do vôlei 4 - Italianos pró-Estados Unidos

Os italianos, ao contrário, torciam para os norte-americanos, alguns com uma empolgação enorme, como o grupo que estava atrás de mim e não parava de gritar "USA, USA". Nada contra o Brasil. Mas a favor da Itália. Eles queriam era um time mais fraco na final. Sobre o jogo da primeira fase, vencido pelos brasileiros com 33 a 31 no tie-break, disseram que foi uma partida estranha e que poderiam discutir o resultado final durante horas. Não hesitaram, no entanto, em reconhecer a superioridade do time brasileiro na final da Liga Mundial deste ano.

Postado por Cláudia Andrade às 08h36
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Semifinal do vôlei 5 - Conhecedores de causa

Os italianos amam o vôlei e conhecem bem os jogadores, incluindo os brasileiros. Um morador de Modena nao torceu para a seleção nacional, apenas para Dante, que defende o time de sua cidade.
Ele conhece todos os outros que atuam na Itália, os que estarão lá na proxima temporada, e até mesmo a irmã de Giovane, jogadora de vôlei de praia. Também lembra da época em que Renan dal Zotto defendeu o Parma e destaca a atuação do atacante como levantador, no playoff de um campeonato há mais de 10 anos. Segundo ele, quando o time de futebol de Modena era forte, ninguém ligava para volei. Mas, quando a qualidade no campo caiu, todo mundo se voltou para as quadras.

Postado por Cláudia Andrade às 08h36
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Semifinal do vôlei 6 - Ingressos

Os rumores são de que haverá tickets para a final a preços mais baixos. Explico. É que as entradas de 100 euros estão esgotadas e só estão disponíveis as de 200 euros. Mas, com a eliminação da Grécia, pode ter gente querendo se livrar dos ingressos comprados. Se isso vai acontecer, eu não sei. A única certeza é de que a final promete ser um jogaço.

Postado por Cláudia Andrade às 08h35
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Salva pelo uniforme

Perdi o horário do último metrô na madrugada desta sexta. Ele pára entre as 2h e as 5h. Estava na região central de Syntagma e, sem opção, resolvi pegar um táxi ate a parada mais proxima do tram (o metrô de superfície), que está funcionando 24 horas durante as Olimpíadas. Foi minha segunda experiência com táxi em Atenas, e bem mais complicada que a primeira. Quando muito requisitados, os motoristas reduzem a velocidade, ouvem para onde você quer ir, mas só param se quiserem. A maioria já tinha passageiros, o que dificultou minha situação, porque dependia do itinerário dos outros. As pessoas tentam se organizar nas ruas, procurando alguém que vá na mesma direção. Encontrei um grupo que ia, mas a receptividade não foi das melhores. Ao menos de início. Instantes depois, um casal que fazia parte do grupo pediu para o motorista parar para me pegar. Eu quase nao acreditei. Eles disseram ter visto que eu era voluntária e se comovido com minha cara cansada. A mulher, norte-americana, já foi a São Paulo, a trabalho, e adorou saber que eu era de lá. Combinamos de nos encontrar no domingo, quando vamos assistir à final da maratona. E eles ainda pagaram mais da metade da conta do táxi.

Postado por Cláudia Andrade às 08h24
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Parnitha

Depois de viajar até Schinias, para ver as provas de canoagem, resolvi visitar outra sede olímpica distante do centro de Atenas. Nesta sexta-feira, fui até Parnitha, local das competições de mountain bike. Eu não tinha ingresso, só queria ver a paisagem mesmo. Valeu a pena, porque o lugar é bem bonito. Tem um teléferico ao lado, que leva até o topo de uma das montanhas, onde tem um cassino. Mas estará fechado nestes dois dias de disputa. Na saída do público, percebi que os poloneses eram maioria absoluta. Tinha até um grupo que viajou três dias de ônibus até a capital grega e não achou nada demais enfrentar mais uma hora e pouco até as montanhas do norte. Mas os torcedores não puderam comemorar a conquista de medalha, porque Maja Wloszczowska foi apenas sexta colocada.


Postado por Cláudia Andrade às 08h20
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Babel

 

Uma forma de tentar descobrir a nacionalidade das pessoas que trabalham nas Olimpíadas é checar as credenciais, que trazem a sigla do pais de origem. Por este artifício, eu jamais conversaria com a francesa Catherine. Francesa?

Na verdade, ela tem dupla nacionalidade, mas nasceu e cresceu no Brasil. Estudou nos Estados Unidos e, como dançaarina, morou na Itália e na Turquia, entre outros países.

 

Desde o ano passado, está na Grécia, onde é professora de ginástica.

Como intérprete voluntária nos Jogos Olímpicos de Atenas, fez a tradução da entrevista dos campeões Torben Grael e Marcelo Ferreira. E, com tantos idiomas na cabeça, em alguns momentos chegou a esquecer palavras em português...


Postado por Cláudia Andrade às 07h22
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Exibicionismo

No meio da multidão, um atleta egípcio, resolveu passear com sua medalha de ouro e coroa de medalhista olímpico. Chamou a atenção, claro. Só não sei se todos estavam como eu, sem saber quem era o individuo. Será um falso campeão? Dei uma olhada no site olímpico e vi que um atleta do Egito, Karam Ibrahim, venceu na categoria 96kg da luta greco-romana. Pode ser ele.

 


Postado por Cláudia Andrade às 07h20
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Saudades de casa?

Depois de um início de semana morno, o fim de semana parece que vai ferver na capital grega. Pelo menos o trânsito na avenida da praia, nesta quinta-feira, por volta das 20 horas estava de matar, como vocês podem ver...

 

 

Mais tarde, no centro, encontrar um lugar para comer foi tarefa dificílima, a começar pelo trânsito de pedestres. Mesas lotadas, música alta, pedestres disputando espaço com carros e motos. Mas no meio de tudo isso, as pessoas pararam para ver curtas que estavam sendo exibidos na parede de uma casa, no meio da rua.

 


Postado por Cláudia Andrade às 07h19
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